Monday, 29 January 2007

Falácias do Não (6)

"Ao contrário de países como a França, Áustria, Lituânia, Eslovénia e Países Nórdicos, e agora a Alemanha, não oferecemos praticamente incentivos à procriação. E respondemos com uma proposta de ‘despenalização’ do aborto ou melhor, como alguém lhe chamou, de uma ‘liberalização legalizada’ do aborto!"

Valentim Xavier Pintado (VXP), professor de Economia na Universidade Católica, no Expresso deste Sábado.

VXP descontextualiza a discussão do aborto, apelando às consequências que um aborto tem para o crescimento populacional. Apelos a Consequências são uma falácia comum, um caso particular de Apelo a Motivos (em vez de razões). Atente-se na distorção que o "respondemos" introduz. Claro que é retórica, mas nestas questões - como Marcelo tem ilustrado melhor que ninguém -, retórica é normalmente sinónimo de demagogia pura. Repare-se ainda como a razão dada, mesmo que não fosse falaciosa, é "instrumental": implícito está que os filhos são um meio para combater o inversão da pirâmide etária, e não um fim em si mesmo. Haverá quem, na ala liberal do Blogue do Não, se disponibilize para apontar esta apropriação "colectivista", quase made in China, daquilo que é uma pessoa humana em potência? Parir para bem da Nação, sim senhor. Muito liberal.

Veja-se ainda isto.

2 comments:

JB said...

Parir para bem da Nação, sim senhor. Muito liberal. - Tiago

E - atenção! - sem contraceptivos. Se não é pecado. Não dá excomungação como o "sim" no aborto, mas anda lá perto...:)

Joao Galamba said...

O Não tem uma bandeira absoluta e sagrada -com direito a cânticos, imagens e companhia. Mas quando se trata de argumentar, e uma vez que absolutos não permitem grande margem de manobra, ele é economia, sociologia, listas de hospitais, etc.. Porque não um cartaz com um feto de seis semanas a dizer: coloque-os a todos cá fora, vamos salvar a segurança social! Grande parte do argumentário do Não acaba por instrumentalizar a tal Vida que por outro lado eles parecem querer santificar. Se é de Vida que tratamos, então que se seja minimamente consistente. Será que se houvesse um excesso de jovens os defensores do Não mudariam de posição?

São tiros no pé, uns atrás dos outros.

Abraços,
João